Dicas de Reflorestamento
 
 
 
Projeto de Reflorestamento


COMO PLANTAR UMA FLORESTA TROPICAL DE MATA ATLÂNTICA
(DICAS DE REFLORESTAMENTO POR ECOLOGISTAS AMADORES)


REFLORESTAMENTO COM ESPÉCIES TROPICAIS BRASILEIRAS:

As dicas abaixo foram organizadas a partir de muito estudo, alguns erros, e observação cuidadosa em campo, na região específica do Projeto Mil Folhas. Academicamente, elas são baseadas à partir de palestras e publicações do Prof. Paulo Kageyama (Participação no Programa de Coleta, Classificação das Espécies nos Grupos de Sucessão Ecológica, Classificação de Espécies Arbóreas em Grupos de Sucessão Ecológica FUNDAÇÃO FLORESTAL / IPEF-ESALQ) Foi também consultado o estudo Recuperação de ēreas Degradadas do 1¼ Simpósio Sul-Americano e 2¼ Simpósio Nacional 11/94 Foz do Iguaçu, PR. Além disso a empresa ērvores do Brasil, em Nogueira, Petrópolis, nos ajudou imensamente, tanto na venda e doação de mudas, como na generosa colaboração com assessoria técnica, muito valiosa para o sucesso do projeto.

Essas dicas são resultado de experiência no campo, em condições muito difíceis, de solo decapitado e extremamente empobrecido, numa inclinação entre 30¼ até 40¼ coberta em capim gordura e braqueara, e vitima de insolação, ventos fortes, e portanto possivelmente entre as mais complicadas de se trabalhar. Portanto, consideramos que, se o nosso projeto está vingando, a fórmula terá bastante sucesso em situações menos adversas.

Introduzir uma floresta numa área desmatada é mais simples do que se imagina, basta copiar os ensinamentos da natureza, utilizando o Sistema de Sucessão Secundária, e confiar nas chuvas. Em cinco anos bem administrados, pode-se plantar mais de 100.000 m2, e reflorestar grandes extensões com pouca mão de obra e muito trabalho. Pode-se também reflorestar um pedaço de jardim com 1.000 m2, em alguns dias. Basta planejar bem, seguir certas normas e trabalhar muito.

Parque Nacional da Tijuca com 3.300 ha (33.000.000 m2), considerada a maior floresta urbana do mundo, foi inteiramente reflorestada pelo Major Archer no século 19 com a mão de obra de pouco mais de 30 pessoas. Desde o Major Archer e a Floresta da Tijuca em 1870 até hoje com o Prof. Paulo Kageyama na CESP, e muitas outros grupos, vários projetos de reflorestamento foram extremamente bem sucedidos, e o conhecimento, que já era grande só tem crescido. Já foram plantados milhões e milhões de árvores, cobrindo vários alqueires interligados por corredores genéticos, florestas foram criadas, e ecossistemas re-introduzidos. Ao mesmo tempo, a Mata Atlântica, quando deixada em paz, tem um poder de regeneração muito rápido, contando com inúmeros polinizadores, como aves, insetos e mamíferos.

SISTEMA DE SUCESSÃO SECUNDÁRIA:

PIONEIRAS:

Numa floresta tropical, quando uma clareira é aberta, o solo perde seus nutrientes rapidamente com as chuvas. Existem espécies de árvores, denominadas Pioneiras que naturalmente se estabelecem primeiro nessas áreas de solo empobrecido, desprovido de sua cobertura natural e de sombra. Essas Pioneiras, se caracterizam por crescimento rápido, madeira macia, frutificação precoce, e vida curta. Elas são chamadas também de Sombreadoras, porque ajudam na preparação do campo para que as Secundárias Iniciais e Secundárias Tardias possam crescer em suas sombras. As Sombreadoras ajudam também a eliminar o capim que precisa de muito sol para florir e frutificar, portanto é muito importante que as mudas sejam plantadas muito próximas umas das outras (com espaçamento de 1.5m a 2m) para que elas criem uma condição de sombreamento o mais rapidamente possível. é importante lembrar que em todas as espécies, as da família Leguminosae são importantíssimas, porque elas tem a capacidade de fixar o nitrogênio no solo por suas raízes, melhorando assim as condições do terreno para todas as outras espécies, de diversas outras famílias plantadas na mesma área. Portanto é importante dar preferência as espécies da família das Leguminosae, principalmente no início do plantio quando o solo ainda está muito pobre. As Leguminosae são:

Leg. Pap. (Leguminosae Papilionoideae)
Leg. Mim. (Leguminosae Mimosoideae)
Leg. Caes. (Leguminosae Caesalpinoideae)

SECUNDēRIAS INICIAIS e SECUNDēRIAS TARDIAS:

As Secundárias são árvores de crescimento mais lento, com madeira em geral mais dura, porém, algumas podem crescer bastante rápido dependendo das condições do clima e do solo, e, muitas delas são denominadas "ornamentais" por terem florações espetaculares, porém, nós do Mil Folhas, consideramos todas as árvores da Mata Atlântica ornamentais. Teoricamente, as Secundárias crescem na sombra das Pioneiras, e eventualmente ultrapassam as Pioneiras em altura, forçando algumas espécies para as regiões ciliares da floresta. As Secundárias são divididas em duas categorias, Secundárias Iniciais e Secundárias Tardias, e são as espécies que chamam a atenção na paisagem com florações magníficas, como os ipês, jacarandás, sapucaias, quaresmeiras, angicos, e a maioria das palmeiras que graciosamente embelezam as florestas, alimentam a fauna, e compõem essa riquíssima e preciosa Mata Atlântica. Entre as Secundárias, estão também algumas das árvores que produzem a chamada madeira de lei.

CLÍMAX:

Finalmente, as Clímax são espécies de crescimento bastante lento, com madeira muito dura, e vida muito longa. Essas árvores são as espécies mais raras, do fundo dos vales, algumas das quais em perigo de extinção na Mata Atlântica, como a canela (Ocotea odorifera/catharinensis), ou a peroba-de-Campos (Paratecoma peroba) conhecida talvez por gerar a melhor madeira do mundo. As Clímax não precisam ser plantadas no início do projeto, mas sim algum tempo depois quando houver um sombreamento bom.

é bom lembrar que não há divisões precisas, separando as classificações. Entre Pioneiras e Secundárias Iniciais, dependendo das condições do solo e de clima, muitas espécies podem variar de categoria, assim como entre S. Tardias e Clímax, ou S. Iniciais e S. Tardias.

Uma vez que a área outrora desmatada é naturalmente recomposta, a tendência é para as Pioneiras e Secundárias Iniciais migrarem para as matas ciliares, ou mata de galeria, nas bordas da floresta, e beiras de rios, ajudando na expansão, e no crescimento da floresta. As matas ciliares (a palavra vem de cílio), composta muitas vezes de Pioneiras e Secundárias Iniciais expandem a floresta em seus limites, facilitando o crescimento de todas as outras árvores em sua sombra.

MAPEAMENTO:

O mapeamento não precisa ser necessariamente preciso, ou muito científico, pode ser um simples desenho da área vista de cima. Esse mapa, por mais informal que seja, pode ser importante para se fazer anotações sobre mudanças de solo, fertilização, podendo ser útil durante o período de manutenção. Pode-se usar também aerofotografias, ou mapas de altimetria para um mapeamento mais sofisticado se houver acesso à esses dados, dependendo do tamanho e complexidade do terreno.

EXAME DE SOLO, EMBRAPA / EMATER (Opcional):

Coletar amostras do solo em duas diferentes profundidades: 0 a 20 cm e 20 a 40 cm separando-os uns dos outros. Use uma cavadeira, e ponha as amostras de solo num saco de aniagem. Colha amostras de toda a área de 7m a 10m entre uma e outra amostra, e deposite todas a amostras no mesmo saco sempre separando as de 0 a 20 das de 20 a 40 cm. Quanto mais completa a amostragem, mais eficiente será o resultado. Misture quanto material for necessário; 20 quilos se preciso. Se o solo apresentar diferenças substanciais entre áreas, identifique as áreas, e separe as amostras (sempre identificando as profundidades). Misture muito bem a terra em cada saco e separe uma amostra de mais ou menos meio quilo de cada saco marcando sempre qual é a de 0 a 20 cm e a de 20 a 40 cm, sempre identificando as áreas que quiser examinar separadamente no seu mapa. Leve as amostras para a EMBRAPA de sua cidade ou estado e depois consulte um técnico da EMATER para sugerir o tipo de fertilização e equilíbrio químico do solo.

ROÇAR:

é muito importante Roçar todo o capim na extensão do plantio o mais baixo possível e com a maior freqŸência possível, se for viável, até capinado por completo. Deve-se roçar apenas o capim (gramíneas), evitando eliminar qualquer outro tipo de vegetação. Se o capim estiver muito alto pode ser necessário o uso de uma foice, e depois prosseguir com uma roçadeira à gasolina, mantendo o capim o mais baixo possível. Isso evita a propagação do fogo e facilita a circulação das pessoas que trabalham no plantio. Todas as pedras encontradas devem ser separadas e retiradas da área do plantio, para que a lâmina da roçadeira não bata nelas, podendo machucar alguém, ou danificar o equipamento. é fundamental que o operador da roçadeira use equipamento de proteção, como botas, caneleiras, luvas, óculos de segurança e protetor de ouvido.


ESPAÇAMENTO ENTRE COVAS:

é extremamente importante que o Espaçamento entre as covas seja bastante próximo. A distância não deve ser mais de 2 metros entre uma muda e outra, podendo variar entre 1.5 m e 2 m. Isso acelera o processo de sombreamento enormemente, havendo então uma seleção natural, onde as mudas mais resistentes irão se sobrepor às mais fracas. Quando o espaçamento é pequeno, as folhas das mudas rapidamente se encontram umas com as outras, e começam a disputa pela luz do sol bastante cedo, acelerando o processo de crescimento de todas as árvores, e de sombreamento do capim. Portanto é fundamental que as mudas sejam plantadas com o espaçamento muito pequeno.

COROAR:

é fundamental Coroar em volta das mudas, para que o capim não atrapalhe o crescimento das mudas, e também para proteger as plantas do fogo. Com uma boa enxada, é preciso eliminar o capim e qualquer outro tipo de planta em um raio de meio metro do centro da cova. Ou seja, é preciso que haja um círculo de um metro de diâmetro completamente limpo, e capinado em volta de cada muda. Em caso de incêndio, o capim baixo e o coroamento protege as mudas, evitando que o calor das chamas desidrate, e mate as mudas. Além disso o coroamento evita que capim abafe as plantas, roubando os nutrientes colocados durante a adubação.

ABRIR COVAS:

As Covas devem ser abertas no centro da área coroada, e ter o volume entre 10 e 20 litros aproximadamente. Elas podem ser abertas com uma cavadeira de mão, enxadão ou trado médio, e todas as pedras encontradas na cova, assim como raízes ou qualquer outro detrito devem ser retiradas.

FERTILIZAÇÃO:

ADUBOS ORGÂNICOS:

Existem inúmeras formas de se Adubar, ou Fertilizar mudas de árvores para um projeto de reflorestamento. Pode-se usar adubos orgânicos, que são esterco de vaca, esterco de coelho, cavalo, humos de minhoca, cama de cavalo (palha misturada com esterco usada nos estábulos) e/ou terra vegetal que pode ser colhida de uma composteira. Só não se deve usar esterco de galinha. é importante lembrar que as folhas secas varridas de um jardim jamais devem ser queimadas (nada deve ser queimado na Mata Atlântica), e sim depositadas em um lugar sombreado e úmido. Em poucas semanas pode-se recuperar a chamada terra vegetal ou terra preta excelente, e muito rica em nutrientes para plantas. Os adubos orgânicos funcionam bem como adubos de cova, usados juntamente com adubos químicos nas covas antes do plantio. Pode-se fazer uma mistura de esterco, e terra vegetal para o chamado adubo orgânico, o que é ideal

MINHOCÁRIO (UMA TÉCNICA REVOLUCIONÁRIA):

A alguns anos, o excelente Humos de Minhoca virou uma febre, mas era um produto caro, e supostamente difícil de produzir. A Minhoca Vermelha da Califórnia, é uma criatura trabalhadeira e disciplinada, e até bonita se vista com bons olhos. O procedimento para dar início a uma criação de minhocas é extremamente simples. Procure um produtor e compre uma matriz, que nada mais é do que uns 10 quilos de esterco com uma superpopulação de minhocas vermelhas da Califórnia. Só compre as vermelhas, porque as brasileiras são muito boas, mas indisciplinadas e fujonas... Adquira então dois ou mais anéis de cimento para poços artesianos, e coloque-os lado a lado, numa área sombreada de preferência onde se possa chegar com uma mangueira de água. Apenas coloque os anéis de cimento sobre a terra, encha com esterco de vaca nem muito fresco nem muito seco, e deposite uma parte da matriz em cada anel, em cima do esterco. O primeiro estágio é mais demorado, até que as minhocas se reproduzam e comessem a produção de fato. Deve-se manter o minhocario úmido, mas não encharcado, e deve-se cobrir a boca dos anéis com uma tela ou pedaço de sombrite para não virar restaurante de passarinhos. Em mais ou menos 40 dias, o nível do esterco cairá próximo a 50% quando o material se transformará num produto escuro inodoro e muito rico em nutrientes para plantas chamado de humos de minhoca. Normalmente, para separar o humos das minhocas, as pessoas peneiravam as minhocas, um trabalho extremamente chato que levou alguns produtores a aposentadoria precoce. Porém, o escritor que aqui vos fala, desenvolveu uma técnica supimpa, em que as próprias minhocas se peneiram voluntariamente, e com uma disciplina militar.

Uma vez que os anéis de cimento estejam cheios de humos, e superlotados de minhocas, o próximo passo é introduzir mais esterco de vaca para evitar que elas fujam para outras pastagens. Como todos nós sabemos que a minhoca é essencialmente um animal subterrâneo, é pelo fundo dos anéis que elas fogem, e, não é ruim para o seu jardim que algumas fujam, é sempre bom lembrar. O procedimento então é introduzir vários sacos de aniagem, aqueles feitos de fibra de plástico, cheios de esterco de vaca em volta dos anéis lotados de minhoca. O que acontece nas semanas seguintes é um pequeno milagre de domesticação dos anelídeos. As minhocas são atraídas para o esterco de vaca pelo cheiro, e todas, sem exceção, migram para os sacos de aniagem pelo solo entrando nos sacos por entre as fibras do plástico. Nesse período é bom manter o solo e o esterco úmidos, para facilitar a romaria. Verifique então o humos nos anéis, e quando ele estiver com poucas minhocas retire o material pronto para o uso, e introduza alguns dos sacos já com algumas minhocas de volta nos anéis. Quanto mais o tempo passar, e quanto mais sacos de aniagem com esterco de vaca forem introduzidos, maior será o seu minhocario, até chegar a um ponto em que as minhocas migrarão de um saco de aniagem para o outro e o esforço de produção será mínimo. Elimina-se assim o chatíssimo processo de peneirar das minhocas.

ADUBOS QUÍMICOS:

São muitas as opções de adubos químicos encontrados no mercado, o mais comum sendo o NPK:

N = Nitrogênio p/ Folhas
P = Fósforo p/ Raiz
K = Potássio p/ Floração e Frutificação

A denominação numérica, estabelece a mesma ordem das letras, ou seja, N/P/K. Durante o plantio, é importante usar uma fórmula de NPK com mais Fósforo (P) nas covas, como o 4/14/8, e, até 6/30/6 em casos mais radicais. Algum tempo depois, quando queremos dar força as folhas, podemos usar mais Nitrogênio (N), e Potássio (K) nas adubações por cobertura, como o 10/10/10 ou até o 15/2/10.

Existem outros adubos químicos que são muito úteis e fáceis de usar, como o Thermofosfato ou Iorin, ambos muito ricos em Fósforo, mas com pouca acidez (comparado com o Superfosfato de Rocha que é muito ácido), porque é retirado da rocha com calor, e portanto muito rico em cálcio e micro-nutrientes, devendo ser usado sempre em adubações por cobertura. Outros fertilizantes químicos também podem ser usados, como a Torta de Mamona, e a Farinha de Osso que são ricos em Fósforo, mas com algumas inconveniências, como a Torta de Mamona que contém metais pesados como chumbo, e a Farinha de Osso, que, por ser composta por ossos de bovino moídos, tem um cheiro bastante desagradável. Outros produtos muito concentrados e ricos em Nitrogênio como o Mitsui, e o Polyblend também são encontrados no mercado, mas, é sempre bom consultar um agrônomo para indicar e orientar sobre adubação química.

ADUBAÇÃO COMO É FEITA NO PROJETO MIL FOLHAS:

São muitas as maneiras de fertilizar mudas para um reflorestamento. Existe um consenso que as mudas, enquanto estiverem em saquinhos ou tubete não devem ser muito bem fertilizadas, para elas não estranharem quando forem plantadas no chão. As mudas também devem ir para o sol relativamente cedo, para "endurecer," e acostumar logo com as condições difíceis do campo, não devendo permanecer muito tempo nos saquinhos para as raízes não crescerem demais, e eventualmente penetrarem no solo e serem arrancadas o que provoca um trauma na planta.

Existem dois tipos de fertilização: Adubação de Cova, antes do plantio e Adubação de Cobertura, depois do plantio em volta da muda. Idealmente, algum tipo de adubação orgânica deve ser usado nas covas para o plantio.

ADUBAÇÃO DE COVA:

Depois da área totalmente roçada, e com as covas abertas e coroadas numa distância de 1.5 a 2 metros, cada cova pode receber dois punhados generosos de material orgânico (quanto mais melhor, de preferência uma mistura de esterco e terra vegetal), e uma mistura de Adubo de Cova, mas só 50 gramas.

1 Parte de NPK, 4/14/8.
1 parte de Farinha de Osso.
2 partes de Torta de Mamona.

Deve-se misturar o adubo químico em quantidades grandes de uma só vez, por exemplo: 50 Kg. NPK 4/14/8, 50 Kg. Farinha de Osso, e 100 Kg. de Torta de Mamona.

Não exagere nos adubos químicos para cova, usando apenas 50 gramas de adubo por cova (apenas um pequeno punhado) misturado ao adubo orgânico, e terra suficiente retirada da cova para cobrir a cova novamente, o mais cheia possível, mas agora com solo fertilizado. Fora da cova, sobrará um pouco da terra retirada que pode ser espalhada em volta do coroamento.

PLANTIO:

As vezes, a parte mais difícil é levar as mudas dos viveiros para a área do plantio. Por isso, é bom que as mudas não sejam muito grandes, e idealmente estejam em Tubetes, uns canudos de plástico, parecendo seringas pretas com um furo no fundo de mais ou menos 15 a 20 cm de comprimento e 4 cm de diâmetro. Os tubetes podem ser armazenados em bandejas que carregam até 80 mudas com facilidade (veja abaixo em SEMENTEIRA). As mudas em saquinhos podem ser transportadas com cuidado em carrinhos de mão, picapes, caixotes, caixas de papelão, ou da maneira mais fácil encontrada.

A mudas devem estar com mais ou menos um ano, e entre 25 cm e 50 cm de altura na época do plantio. Abra um pequeno buraco na terra fertilizada da cova para o torrão com as raízes da muda (saquinho, tubete ou latinha), retire a muda do saquinho com cuidado, e deposite o torrão na cova, apertando bem a terra em volta do torrão da muda uma vez que já plantada, mantendo a muda bem aprumada. Cuidado para não enterrar o colo da muda, ou seja, não enterre a raiz da planta muito fundo na cova, e os primeiros 3 a 5 cm da haste da muda. De preferência deixe a cova ligeiramente convexa, a chamada Bacia de Captação, um pouco mais funda que a superfície do terreno, o que ajuda na absorção de água durante as chuvas. Em encostas íngremes, a boca da cova deve ser o mais horizontal possível, para poder absorver a água da chuva.

Identifique as Pioneiras, as Secundárias Iniciais, e sempre plante elas intercaladas entre as secundárias Tardias, para que elas possam sombrear propriamente. é importante espalhar as Leguminosae para que elas possam beneficiar as não Leguminosae com seu poder de fixar o Nitrogênio no solo. Quanto as Clímax, algumas podem ser plantadas no começo, mas, idealmente, devem ser plantadas quando houver uma situação de sombreamento substancial, um ou dois anos após o primeiro plantio, enriquecendo o plantio. Não se preocupe com as Clímax no começo, invista nas Leguminosae Pioneiras e Secundárias Iniciais, para estabelecer uma condição de Sombreamento o mais rápido possível.

Sempre que puder faça o plantio nos meses chuvosos de verão (de Setembro a Março), e escolha os dias nublados e frescos para plantar, de preferência dias chuvosos ou quando sentir que vai chover logo depois, o que ajuda muito na sobrevivência das mudas. Fique de olho na previsão do tempo (http://br.weather.com/weather/local/BRXX0201). Durante os primeiros dias após o plantio a água é um fator da maior importância, que não deve ser ignorado. é ideal que as mudas sejam molhadas durante esse período, de preferência pela chuva, mas, caso haja uma seca inesperada, pode-se molhar com uma bomba d'agua, ou com regadores. De qualquer forma, deve-se molhar as mudas pelo menos duas vezes por semana nos primeiros vinte dias após o plantio. Uma técnica, é conseguir alguns latões de 200 ou 400 litros vazios, coloca-los uma área próxima as mudas, e enche-los com água de uma bomba, depois, pode-se usar um regador de mão e molhar cada muda.

Após o plantio pode-se fazer a chamada Cobertura Morta em volta os caules das mudas, espalhando folhas úmidas ou semi-decompostas sobre a terra em cima da cova bem em volta das mudas, o que protege as raízes de insolação e desidratação nos dias mais quentes e secos. Se possível, deve-se Estaquear as mudas havendo acesso a qualquer tipo de madeira fina ou bambu, um pouco mais altas que as mudas, elas devem ser fincadas no solo a um palmo das mudas, e uma fita pode ser amarrada prendendo a muda à estaca para ajudar a muda a ficar aprumada. Nunca use arame ou cordas que possam estrangular o caule das mudas.
Para plantio nos meses mais secos, Existe um produto alemão chamado Stocksorb - comprado na Degusa em SP (11) 3146-4161 chamado de GEL que é depositado no fundo da cova, e então coloca-se 1 litro de água (se não houver chuvas) e essa muda fica provida de água por um mês. O produto é caro mas ele garante um ótimo desenvolvimento das mudas em épocas de seca.

ADUBAÇÃO DE COBERTURA:

Um mês depois do plantio a primeira Adubação por Cobertura pode ser feita dessa forma por muda:

60 gramas de NPK 10/10/10.
30 gramas de Thermofosfato ou Iorin.

Pode-se misturar em quantidades grandes, aproximadamente 2 partes NPK 10/10/10 e 1 parte Thermofosfato ou Iorin. Por exemplo, 100 Kg. NPK para 50 Kg. Thermofosfato ou Iorin.

Basicamente, as 90 gramas por muda são um bom punhado distribuído em torno do caule da muda sobre a cova. Pode-se levar a mistura em baldes, e aplicar manualmente. Essa adubação por cobertura também deve ser feita em dias úmidos ou chuvosos, quando a previsão do tempo para os próximos dias for de chuva. Se houver a Cobertura Morta nas covas, remova qualquer material orgânico sobre a terra, adicione os adubos químicos diretamente sobre a terra, e cubra novamente em volta das mudas com as folhas.
De três em três meses deve-se re-fazer a adubação por cobertura, usando a mesma formula mencionada acima. Recomenda-se a adubação em Outubro, de novo em Janeiro, e quando chover, em algum período entre Abril e Junho.

MANUTENÇÃO DE MUDAS NO PLANTIO:

Após o plantio, a manutenção é vital nos primeiros anos para o sucesso do reflorestamento. Se houver capim, é preciso que hajam "roçadas", até que as Pioneiras/Sombreadoras consigam abafar e eliminar esse capim ao ponto de não haver mais floração e frutificação dos mesmos. é preciso fazer e re-fazer o coroamento para que plantas nocivas não interfiram com o crescimento das mudas, e é preciso fazer adubações por cobertura em todas as mudas, espalhando os fertilizantes em volta do caule de cada planta, de preferência em dias frescos e chuvosos. é natural que algumas mudas não sobrevivam, nesse caso, elas devem ser substituídas por outras mudas. Se houver formigas atacando algumas mudas (em geral elas escolhem por espécie, dependendo do lugar), é importantíssimo combater essas formigas cortadeiras (veja abaixo), assim como é fundamental proteger o plantio do risco de incêndios e queimadas.

CUIDADOS COM O FOGO:

O fogo é talvez o maior de todos os perigos, principalmente nos meses mais secos de inverno, entre Junho e Setembro. Não permita que se façam as nocivas "queimadas" próximas da área de plantio, procure conscientizar a população local. Se essa área for próxima a uma estrada, o perigo também é grande por causa de pontas de cigarro atiradas de automóveis. Uma solução é fazer Aceiros, que dão um certo trabalho, mas são muito eficazes como barreiras contra o fogo. Os Aceiros são extensões de três a cinco metros de largura completamente capinados e livres de qualquer vegetação, dividindo as áreas de onde pode vir o fogo do local de plantio. Uma outra opção interessante, é plantar os chamados Aceiros Verdes, Que em geral são plantas muito verdes e úmidas, muitas vezes Leguminosae que fazem uma barreira à prova de fogo protegendo as mudas. Na maioria das vezes, o fogo no capim queima as mudas de árvores pequenas. Se a área do replantio estiver com o capim sempre roçado muito baixo e as mudas bem coroadas, o risco do fogo danificar as mudas fica bastante reduzido.

FORMIGAS CORTADEIRAS:

Quando cortamos o capim e plantamos mudas de árvores, a tendência é que formigas cortadeiras ataquem as folhas das mudas na primavera (Setembro, Outubro e Novembro) o que pode ser muito prejudicial ao plantio. Deve-se então combater essas formigas usando qualquer defensor, como Isca formicida: Attamex-s ou Mirex, Formicida em pó: k\ K-olthrine, MIPS - Dinagro. Consulte um agrônomo em qualquer loja de plantas para saber a melhor forma de combater as formigas. Existem embalagens de plástico que armazenam a isca e permitem que as formigas entram e saiam com as iscas, protegendo o produto da chuva, que arruína suas propriedades. Esse objeto lembra um "disco voador" de plástico amarelo com duas rampinhas que levam para uma área côncava central elevada, que fica coberta por uma tampa com rosca. Pode-se também usar uma garrafa PET vazia com furos, e colocar a isca dentro. O importante é isca não molhar enquanto estiver no campo.

VIVEIRO OU SEMENTEIRA:

Se for possível coletar sementes para criação de mudas, isso barateia o processo muito. é bom lembrar que a maioria das mudas só estará pronta para o plantio à partir de um ano, ou seja, as mudas que vingarem em um verão só podem ser plantadas no verão seguinte. Sementes podem ser plantadas em viveiros o ano todo, e, é bom lembrar que quanto mais rápido a semente for plantada, maiores as chances de germinação da planta. Idealmente, as sementes devem ser coletadas quando caírem no solo. Algumas, com a superfície muito brilhante, como um verniz, devem ser Escarificadas, ou seja, lixadas até ficarem opacas, o que facilita muito a germinação.

Pode-se usar uma sementeira de isopor (a maior que houver) e substrato argiloso. As técnicas de plantio de sementes podem ser complicadas, mas, na maioria das Pioneiras, e Secundárias, basta cobrir a semente com 1/2 cm de substrato e molhar sempre sem encharcar, numa área fresca e sombreada. Assim que as plantas emergirem, e alcançarem um tamanho de mais ou menos de 5 a 6 centímetros, pode-se muda-las para saquinhos, mantendo numa área semi-sombreada que pode ser uma cobertura de 50% Sombrite (uma tela preta que reduz a incidência solar) e alguns meses depois coloca-las numa área de sol normal, de acordo com as condições que a planta encontrará na área de plantio para já ir se aclimatando com o sol e as condições do campo. é importantíssimo molhar as mudas diariamente, no começo, e em freqŸência um pouco menor depois. Não se deve molhar as mudas demais, principalmente logo antes de serem plantadas para que elas se acostumem com as dificuldades que encontrarão depois de plantadas, nem se deve fertilizar demais o substrato, para que as mudas não sintam falta dos nutrientes, uma vez que plantadas no solo.

Se houver uma verba generosa, pode-se adquirir o famoso Tubete, que é reciclável, e simplifica o todo o processo bastante, eliminando a mudança da sementeira para o saquinho. O tubete é como uma ampola de plástico com um furo no fundo, onde se enche com substrato e coloca-se a semente como na sementeira. O processo de emergência e crescimento ocorre todo ali, e os tubetes são transportados numa bandeja própria diretamente para o local de plantio, e depois reusados indefinidamente. O tubete, é muito mais prático, porém mais caro. Existe também uma técnica chamada de Rocambole, usada com tubetes. O truque é extrair todas as mudas dos tubetes e alinhar até 40 em cima de uma tira de plástico de obra preto da largura dos torrões (20 cm) e enrolar os tubetes com a folha de plástico como se fosse um rocambole na beira de uma mesa, o que compacta o volume das mudas, podendo-se deitar os rocamboles na caçamba de um caminhão, uma vez que amarrados, ou presos com fita adesiva, ou podem ser transportados num carrinho de mão até o local do plantio com bastante facilidade, já que a aglomeração protege os torrões.

Existem muitas outras opções para criar mudas, como os saquinhos de plástico ou bandejas de isopor. Não havendo verba para os tubetes, pode-se usar Saquinhos, que são confeccionados de um plástico maleável preto com alguns furos e vem dobrado em maços de 20 ou mais. O tamanho que usamos no projeto é de 18 x 30: 18 cm de largura e 30 cm de altura. Outras opções são as bandejas de isopor ou polietileno, e existe uma de 72 células e mais ou menos 12 cm de espessura (usadas para cultivo de cítricas), que funciona bem para a maioria das sementes de Pioneiras.

VÁ EM FRENTE, E PLANTE A SUA FLORESTA:

Essas dicas são orientações para ajudar qualquer pessoa a reflorestar áreas de terreno desmatado, e identificar algumas das espécies nativas da Mata Atlântica, mostrando o caminho das pedras à partir de um projeto, o Mil Folhas, que depois de muita pesquisa e esforço está dando resultados. As sugestões acima foram elaboradas informalmente, e organizadas de uma forma que pessoas sem formação científica, como nós, possam se aventurar numa das empreitadas mais especiais de uma vida; plantar não somente uma árvore, mas uma floresta inteira, e prover um berço para várias espécies de plantas e animais na natureza, e ao mesmo tempo preservar dois bens da maior importância para toda a vida no planeta: A água e o ar. Boa Sorte!